Coração de Leão

Uma autobiografia que envolve Amor e Fé entre mãe e filhos, capaz de mostrar que o Amor incondicional vai além da despedida... E ainda é capaz de recomeçar.

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"Que sua Dor vire Flor"


Mesmo que em dias de chuva algumas pétalas insistam em cair,

Mesmo que algum passarinho tente arrancá-las,

Mesmo que o terreno não favoreça que se permaneça nele,

Mesmo que a saudade seja como os espinhos e chegue a doer.

 

Graças ao dia, à noite, ao vento, à chuva ainda será FLOR.

#PorEles      #MaesdeAnjos

Aracelli Moreira

 

Imagem de @eusouabe (Instagram)

Qualquer reprodução deste texto deve seguir a fonte de autoria Aracelli Moreira www.coracaodeleao.com.br

 

O meu SIM


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Passei meses da minha gravidez sem ter a certeza de que poderia tocar no MEU filho, ao nascer. E quando ouvi do cardiologista: "Sim, você vai poder beijá-lo", foi uma alegria infinita.

E enquanto boa parte das mães estava com seus filhos ao seu lado, eu atravessava corredores e me juntava a outras mulheres de corações aflitos por ver seus filhos. 

Tive que seguir ordens. 
Ouvir muitos Nãos! 
Não pude muita coisa. 

A sensação que tinha era como a de uma leoa, recém-parida, vendo sua cria isolada e não poder lamber, cheirar, tocar. 
Eu sabia que tudo era pelo bem do Miguel. Mas lá no fundo, no meu coração sangrando de mãe, surgia um abismo com a falta que tudo isso me fazia. E o que me confortava era: "Um dia sairemos daqui e poderei fazer tudo o que hoje não posso."

Mas esse dia nunca chegou. 

Todo o tempo o MEU filho foi dos médicos, das enfermeiras, das técnicas, até porque eles faziam muito mais do que eu. Já disse uma vez, me sentia mãe por tabela. 

Nunca amamentei o Miguel no meu peito. Nunca troquei uma fralda. Não cuidei do seu umbigo, nem dei banho. 

Imaginem... sonhar por todos aqueles 9 meses com uma vida para o meu filho (pois eu sonhava de ver meu gordinho jogando bola com o pai, chegando da escola fantasiado, brincando na areia da praia) e não ter o mínimo pra mim.

O abismo ficou.

Com a chegada do Theo, eu senti e sinto a necessidade de preencher essa falta. Aquela leoa acuada que rondava a incubadora agora tem seu filhote aqui pra lamber, cheirar, sentir.

E todas as loucuras que cometo levando à minha exaustão são pelos meus dois filhotes. Mas também por mim, que ouvi tantos Nãos! 

E mesmo que muitos não entendam, saibam: EU PRECISO preencher a minha vida de apenas SIM. 
 

Aracelli Moreira

 

Qualquer reprodução deste texto deverá seguir a fonte de autoria Aracelli Moreira www.coracaodeleao.com.br

 

Como uma flor


jardim flores

Haverá aquele dia que não terá nada além de um olhar emocionado,
Ou de uma voz embargada.

Haverá aquele dia que a gente se perguntará "Por quê?!",
Ou nem mesmo vontade  de sorrir existirá.

Haverá dias de coração esmagado, que consegue ficar do tamanho de um grão de areia,
Ou até de uma sementinha.

Mas há outros muitos dias que da sementinha brota uma flor, essa flor se abre, exala um perfume doce como o mais puro amor...

 

Escrevi este texto depois que li um relato de uma mãe de anjo e percebi que somos como um jardim cheio de flores, onde um dia uma rosa murcha pela falta e saudade de um amor, mas no outro, esse mesmo amor faz crescer um novo botão. 

Desejo um jardim florido para todas nós!

Aracelli Moreira

Qualquer reprodução deste texto deve seguir com a fonte de autoria: Aracelli Moreira, www.coracaodeleao.com.br

 

De onde vem o arco-íris


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Dizem que depois da tempestade vem o arco-íris. E é por isso que a mãe que se despede de um filho, ao engravidar novamente, espera seu "bebê arco-íris". (Assim dizemos!)

Custei entender o que seria a "tempestade" pra mim. Ela não foi o Miguel, não foram todas as coisas que vivemos juntos, nem aquelas que não vivemos. 

A minha tempestade foi a mistura de dor e medo. 

É a ausência. 

Por meses, mesmo quando já grávida do Theo, a ausência me molhava com gotas grossas de chuva. Daquelas que batem forte na gente. 

Há quase cinco meses, dessa tempestade eu sinto o cheiro de terra molhada, é esse cheiro que me faz saber o que vivi. Quando é preciso, ela volta num dia nublado e cheio de chuviscos.

Há quase cinco meses, vejo todas as cores do meu arco-íris iluminando cada pedacinho de mim. 

Olhar nos olhos do meu filho mais novo é saber que nunca me despedi por completo do meu mais velho. É ver no seu sorriso, na sua cara de choro partes das lembranças deixadas pelo meu leãozinho. 

É perceber, a cada dia, o quanto de Miguel tem no Theo, mas principalmente, o quanto de Theo tem em mim. O que ele me trouxe, o que me faz sentir, que me proporciona ver as cores desse arco-íris. 

O Miguel é a minha Luz. 
Ao Theo, coube a missão de Colorir a minha vida! 

Aracelli Moreira 

 

Qualquer reprodução deste texto deve seguir com a fonte de autoria: Aracelli Moreira, www.coracaodeleao.com.br

Um novo eu


Quando se despede de um filho, por uma vida inteira, todas nós, mães, passamos por um processo de transformação que é inevitável, irreversível, incontrolável. Eu dizia muito no início "eu não me reconheço mais", "não consigo ser a Aracelli de antes". E ouço sempre de outras mães a mesma coisa. 

Mas com o tempo a gente passa a se (re)conhecer, a entender que é impossível mesmo passar por tanto e não mudar. Olhamos tudo de maneira muito mais sensível, com mais detalhes. A vida passa a ter outro contorno. 

Claro que, quando damos conta que não somos mais as mesmas, somado a dor, tudo parece um pesadelo. E entendemos que esse novo Eu aparece e, na verdade, é fruto da experiência que passamos, mas também da existência dos nossos filhos, e por eles, somos capazes de nos transformar até num inseto, se preciso! 

E a cada dia, esse novo processo me mostra algo que não estava ali. Esses dias percebi que uma mãe que não tem mais seu filho é semelhante a um alcoólatra em tratamento para o resto da vida. Em que se precisa vencer um dia de cada vez. E se algo, ou alguém, ativa nossa dor, ela vem com tudo, e voltamos ao fundo do poço.

Ouço muitos relatos de outras mães que dizem "estava tudo bem até que...". 
Por isso esse processo de transformação nos exige Autoconhecimento. Precisamos entender nossos limites, repensar em nossas atitudes e sempre nos perguntar "Isso é bom pra mim?
Porque a saudade em si já é algo grandioso demais que temos que lidar, e pra sempre! Por isso, saber até onde podemos ir, até onde podemos deixar que outras pessoas avancem, é uma questão de sobrevivência... nossa!

Quem disse que hoje desejo ser a Aracelli que fui até 2013? Porque minha versão Mãe do Miguel e agora Mãe do Theo é a mais completa, cheia de coragem e medo, capaz de enfrentar o universo mas também que pode chorar antes de dormir. 

Essa versão mais completa não é só porque me despedi de um dos meus filhos, mas porque eles existem em mim! 

Aracelli Moreira 

 

Qualquer reprodução deste texto deve seguir com a fonte de autoria: Aracelli Moreira, www.coracaodeleao.com.br

 

 

 
 

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