Coração de Leão

Uma autobiografia que envolve Amor e Fé entre mãe e filhos, capaz de mostrar que o Amor incondicional vai além da despedida... E ainda é capaz de recomeçar.

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Como uma flor


jardim flores

Haverá aquele dia que não terá nada além de um olhar emocionado,
Ou de uma voz embargada.

Haverá aquele dia que a gente se perguntará "Por quê?!",
Ou nem mesmo vontade  de sorrir existirá.

Haverá dias de coração esmagado, que consegue ficar do tamanho de um grão de areia,
Ou até de uma sementinha.

Mas há outros muitos dias que da sementinha brota uma flor, essa flor se abre, exala um perfume doce como o mais puro amor...

 

Escrevi este texto depois que li um relato de uma mãe de anjo e percebi que somos como um jardim cheio de flores, onde um dia uma rosa murcha pela falta e saudade de um amor, mas no outro, esse mesmo amor faz crescer um novo botão. 

Desejo um jardim florido para todas nós!

Aracelli Moreira

Qualquer reprodução deste texto deve seguir com a fonte de autoria: Aracelli Moreira, www.coracaodeleao.com.br

 

Dia das Mães


Gestações do Miguel e do Theo, respectivamente.

Gestações do Miguel e do Theo, respectivamente.

Por todos dias e noites na UTI...
Por outros à beira do berço.
Por todas as vezes que me impediram de te ver...
Por todos os momentos que sou eu a estar com você.
Por todo leite numa sonda...
Por sentir sugá-lo em mim.
Pelas fraldas não trocadas...
Pelas inúmeras cheias de cocô que posso trocar.
Pelo cheirinho de esparadrapo...
Pelo cheirinho de cama.
Pelo colo vigiado...
Pelo colo à vontade.
Pelos bipes dos monitores...
Pelas musiquinhas de ninar.
Pela despedida...
Pela chegada.

Pelos seus sorrisos, seus olhares, por suas existências!

Pela Luz... Pela Esperança... 

Eu amo vocês, Meus Filhos! 

Aracelli Moreira 

 

Qualquer reprodução deste texto deve seguir com a fonte de autoria: Aracelli Moreira, www.coracaodeleao.com.br

Um novo eu


Quando se despede de um filho, por uma vida inteira, todas nós, mães, passamos por um processo de transformação que é inevitável, irreversível, incontrolável. Eu dizia muito no início "eu não me reconheço mais", "não consigo ser a Aracelli de antes". E ouço sempre de outras mães a mesma coisa. 

Mas com o tempo a gente passa a se (re)conhecer, a entender que é impossível mesmo passar por tanto e não mudar. Olhamos tudo de maneira muito mais sensível, com mais detalhes. A vida passa a ter outro contorno. 

Claro que, quando damos conta que não somos mais as mesmas, somado a dor, tudo parece um pesadelo. E entendemos que esse novo Eu aparece e, na verdade, é fruto da experiência que passamos, mas também da existência dos nossos filhos, e por eles, somos capazes de nos transformar até num inseto, se preciso! 

E a cada dia, esse novo processo me mostra algo que não estava ali. Esses dias percebi que uma mãe que não tem mais seu filho é semelhante a um alcoólatra em tratamento para o resto da vida. Em que se precisa vencer um dia de cada vez. E se algo, ou alguém, ativa nossa dor, ela vem com tudo, e voltamos ao fundo do poço.

Ouço muitos relatos de outras mães que dizem "estava tudo bem até que...". 
Por isso esse processo de transformação nos exige Autoconhecimento. Precisamos entender nossos limites, repensar em nossas atitudes e sempre nos perguntar "Isso é bom pra mim?
Porque a saudade em si já é algo grandioso demais que temos que lidar, e pra sempre! Por isso, saber até onde podemos ir, até onde podemos deixar que outras pessoas avancem, é uma questão de sobrevivência... nossa!

Quem disse que hoje desejo ser a Aracelli que fui até 2013? Porque minha versão Mãe do Miguel e agora Mãe do Theo é a mais completa, cheia de coragem e medo, capaz de enfrentar o universo mas também que pode chorar antes de dormir. 

Essa versão mais completa não é só porque me despedi de um dos meus filhos, mas porque eles existem em mim! 

Aracelli Moreira 

 

Qualquer reprodução deste texto deve seguir com a fonte de autoria: Aracelli Moreira, www.coracaodeleao.com.br

 

 

 
 

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